“A mente não está limitada àquilo que podemos medir. Há algo mais. Há sempre algo mais.”
Para Além do Cérebro, RTP1

Na quietude de uma noite qualquer, ao ver um episódio de Para Além do Cérebro, talvez dês por ti com os olhos marejados e o coração em sobressalto. Aquilo que parecia apenas mais um programa televisivo, vai-se revelando um espelho invisível, onde algo em ti começa a ser tocado, ou talvez lembrado.

Este documentário português que reúne ciência, espiritualidade e humanidade, convida-nos a olhar para o ser humano como uma totalidade viva, vibrante, em constante expansão, e não como um conjunto de diagnósticos, sintomas e limitações. E, mais do que isso, como um ser espiritual, profundamente interligado a tudo o que existe.

No Affectum, esta visão faz eco com tudo o que somos e acreditamos. Acreditamos que o sofrimento não é um erro a corrigir, mas um chamado da alma. Que os sintomas são cartas que o inconsciente escreve e que a consciência, quando se dispõe a escutá-las, transforma a dor em sabedoria.

O programa apresenta-nos cientistas, médicos, terapeutas e experienciadores que ousam dizer: “não sabemos tudo, mas estamos a escutar”. Fala-se da mente não-local, da memória celular, das experiências de quase-morte, da influência das emoções nos órgãos, da epigenética e do poder transformador da intenção. Fala-se, sobretudo, do reencontro com o que é essencial.

No fundo, somos convidados a regressar a casa. Àquela casa interior que por vezes esquecemos no meio do ruído. E talvez, nesse regresso, comecemos a entender que há uma inteligência maior que nos habita, que nos sustém, que nos guia… mesmo quando tudo parece escuro.

Na perspetiva transpessoal e sistémica, que orienta o nosso trabalho no Affectum, este documentário valida o que tantas vezes sentimos mas não sabemos explicar: que a cura é mais do que técnica, é encontro. Encontro connosco. Com o outro. E encontro com o mistério.

Se há algo que Para Além do Cérebro nos recorda é que não precisamos compreender tudo com a mente racional para confiar. A consciência é vasta, muito maior do que os contornos do crânio ou das sinapses. E quando nos permitimos ir além da lógica, tocamos o sagrado. Em nós e no mundo.

Talvez seja este o tempo de abrandar, escutar, respirar fundo. E confiar que há, para lá do cérebro, uma inteligência que sabe o que faz. Uma inteligência que conhece o caminho.