“O privilégio de uma vida é tornares-te quem realmente és”

Carl Gustav Jung

O meu trabalho nasce de uma escuta profunda. Escuta do que é dito, do que foi silenciado e do que insiste em repetir-se na vida de cada pessoa.

Acredito que cada ser humano chega à vida com uma história que o antecede. Com uma família, um sistema, memórias e vínculos que não escolheu conscientemente e, ao mesmo tempo, com a possibilidade de ir além deles. Entre raízes e asas constrói-se o caminho da consciência, das escolhas e da liberdade interior.

Formei-me em Sociologia pela Universidade do Minho, movida pelo desejo de compreender o ser humano nas suas relações e no contexto em que se forma. Estudei a família, os laços que unem e os conflitos que afastam. Sempre me fascinou perceber como o individual e o coletivo se entrelaçam.

Durante anos trabalhei na área social e na formação, em contacto direto com pessoas, famílias e realidades complexas. Foi aí que comecei a observar que os padrões se repetiam com uma força inquietante.  Padrões que atravessavam gerações, exclusões que ficavam cravadas nas histórias como se fossem destinos inevitáveis, lealdades invisíveis que condicionavam escolhas sem que disso houvesse consciência.

E houve um momento em que compreender deixou de ser suficiente. A análise social explicava muito, mas não transformava tudo.

A maternidade trouxe-me um olhar mais amplo e mais honesto. Convidou-me a olhar para dentro, para a minha própria história, para os padrões que eu também repetia e para aquilo que ainda não estava pacificado. Percebi que o verdadeiro trabalho não acontece apenas ao nível do pensamento, mas num plano mais profundo, onde a consciência se expande e a vida pode reorganizar-se.

Esse movimento levou-me à Consciência Sistémica, à Psicogenealogia e à Psicologia Analítica, onde reconheço o tronco do meu trabalho, profundamente inspirada por Carl Gustav Jung e Bert Hellinger.

Ao longo dos anos estudei e integrei diferentes abordagens como, a terapia familiar sistémica, as constelações familiares, a terapia transgeracional, a terapia transpessoal, hipnoterapia, eneagrama, PNL e coaching, ampliando assim a compreensão do indivíduo no seu contexto relacional, histórico e espiritual.

Hoje agrego tudo isto à Sociologia. O meu olhar não se detém apenas na história pessoal e amplia-se à história familiar e às estruturas sociais, culturais e coletivas que nos moldam. Integro o individual, o sistémico e o social numa mesma leitura, porque acredito que só assim a transformação é inteira.

É desta integração que nasce o meu trabalho terapêutico. Um trabalho onde me coloco ao serviço da vida, das histórias que pedem reconciliação, das exclusões que precisam de ser vistas e dos movimentos de consciência que querem emergir.

Acompanho pessoas que sentem que algo na sua vida se repete, pesa ou bloqueia, mesmo quando, externamente, tudo parece estar “bem”. Pessoas que experienciam um cansaço que não é apenas físico, uma inquietação silenciosa ou a sensação de não estarem totalmente no seu lugar. Pessoas que procuram clareza, reconciliação com a sua história e um modo mais verdadeiro de estar na vida.

Acredito que quando uma dor encontra o seu lugar, deixa de comandar. Quando as raízes são reconhecidas, o presente ganha força. E quando a consciência se amplia, as asas abrem-se naturalmente.

É neste lugar, entre o que foi e o que pode ser, que caminho contigo.

Raízes que sustentam. Asas que libertam.