“As caminhadas são meditações em movimento. Elas reordenam a alma.”
Julia Cameron
Vivemos num mundo que nos empurra constantemente para o ruído, notificações, tarefas, expectativas, produção. Até o silêncio se tornou algo raro, quase estranho. Mas o silêncio é fértil. E o corpo sabe disso.
Julia Cameron, no seu livro O Caminho do Artista, propõe uma prática simples e profunda: caminhar sozinho, em silêncio, durante 20 minutos. Sem música. Sem podcast. Sem conversa.
Só tu, os teus passos e o que quiser emergir.
Ao início, pode parecer desconfortável. A mente vai tentar preencher o vazio. Mas é no desconforto do silêncio que começa o verdadeiro encontro: com o corpo, com a paisagem, com o que em ti tem estado calado há tempo demais.
Essas caminhadas tornam-se, pouco a pouco, orações sem palavras.
O chão responde ao cansaço. As árvores escutam o que nem tu sabias que querias dizer.
E, de repente, percebes: estás a voltar. A voltar para ti.
Caminhar assim é criar espaço.
Espaço para novas ideias. Espaço para velhas feridas.
Espaço para respirar de verdade.
É uma prática de criação, sim, e também de reconciliação.
Porque antes de criarmos qualquer coisa no mundo, precisamos de re-habitar a nossa própria presença.
Experimenta esta semana:
Sai para caminhar em silêncio. Sem rumo certo.
Repara no ritmo do teu corpo.
Repara no que sentes sem distrações.
Não te esqueças: não é sobre chegar a lado nenhum. É sobre voltar a ti.
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