“O que foi negado à criança por seus pais, ela o buscará mais tarde, de maneira inconsciente, nos outros.”

Alice Miller

Neste Dia da Criança, no Affectum celebramos todas as crianças. As que hoje correm nos pátios e jardins, e também aquelas que ainda vivem, muitas vezes esquecidas, dentro de cada adulto.

Há em nós uma criança interior, que guarda as primeiras memórias, os primeiros medos, os primeiros sonhos. Ela é a nossa parte mais sensível, intuitiva e autêntica. Mas nem sempre foi ouvida. Nem sempre foi protegida. Nem sempre pôde ser criança.

A psicoterapeuta Alice Miller escreveu que “o que foi negado à criança por seus pais, ela o buscará mais tarde, de maneira inconsciente, nos outros.” É por isso que muitos de nós, mesmo adultos, seguimos e vivemos em busca do olhar, do reconhecimento, do amor que nos faltou. Repetimos padrões, atraímos relações semelhantes, tomamos decisões a partir de feridas antigas.

Carl Jung chamava a atenção para essa dimensão da alma que permanece infantil, mesmo na vida adulta. Para ele, a criança interior simboliza o potencial não realizado, a nossa essência mais profunda, aquilo que ainda nos convida à inteireza. Jung via no encontro com essa criança uma ponte para o processo de individuação. O caminho de nos tornarmos verdadeiramente quem somos.

Também Bert Hellinger, nos recorda que muitos dos nossos bloqueios têm raízes nas lealdades invisíveis com o nosso sistema familiar. Quantas vezes a criança em nós assumiu culpas que não eram nossas? Quantas vezes sentimos que precisávamos “salvar” os pais ou carregar as suas dores? Ao olharmos com compaixão para essa criança interna, damos um passo em direção à reconciliação com o nosso passado.

Porque cuidar das crianças não é apenas protegê-las hoje. É também curar as nossas próprias feridas, para que o passado não se repita no presente.

Hoje, convidamos-te a parar um momento. Respirar fundo. Colocar a mão no peito. E perguntar:

“Querida criança, o que precisas de mim agora?”

Talvez ela queira brincar. Talvez chorar. Talvez só queira saber que não está sozinha. Seja qual for a resposta, escuta. Escuta com o coração.

Porque celebrar o Dia da Criança é também um ato de coragem.
É olhar para dentro e dizer:
“Eu vejo-te. Eu escuto-te. Agora estou aqui por ti.”

Com carinho,